Trauma Raquimedular (TRM) e a Fisioterapia
O traumatismo raquimedular é uma agressão à medula
espinhal que pode ocasionar danos neurológicos, tais como alteração da
função motora, sensitiva e autônoma. A medula espinhal é via de ligação entre o
encéfalo e o corpo.
O Trauma Raquimedular (TRM) compreende as lesões dos
componentes da coluna vertebral em quaisquer porções, seja ela óssea,
ligamentar, medular, discal, vascular ou radicular, e ocorre em cerca de
15 a 20% das fraturas da coluna vertebral.
Até o momento, não existe nenhum tratamento efetivo capaz de
restaurar as funções da medula espinhal lesada. Embora muitos tratamentos,
dependendo do tipo de lesão, consigam otimizar a movimentação e qualidade de
vida da pessoa.
O TRM é decorrente de uma carga axial, hiperflexão e
hiperextensão, superalongamento da coluna e a hiper-rotação e a inclinação
lateral repentina ou excessiva geralmente devido ao acidente
automobilístico, podendo resultar em contusão, distensão, dilatação ou
esmagamento da coluna e desalinhamento do canal vertical. Além de acidentes
automobilístico, quedas, mergulhos e episódios de violências, principalmente
ferimentos por arma de fogo, são as causas mais comuns deste tipo de lesão.
A lesão medular é definida pela American Spinal Injury Associantion (ASIA), como sendo uma diminuição ou perda da função motora e/ou anatômica, por trauma dos elementos neuronais dentro do canal vertebral, podendo ser total ou parcial (DINIZ et al. 2009). Conforme a American Spinal Injury Association (ASIA), lesões medulares podem ser completas ou incompletas e são classificadas em Impairment Scale (AIS).
Escala de Avaliação ASIA/Frankel (Gravidade das lesões medulares)
O atendimento qualificado e imediato tem por finalidade
prevenir possíveis seqüelas neurológicas e diminuir o número de óbitos.
A reabilitação física de tais pacientes se inicia na fase
aguda, logo após a ocorrência do trauma, especialmente através dos cuidados
preventivos contra a formação de ulceras de pressão e deformidades dos
segmentos “paralisados”, esvaziamento vesical e intestinal realizado de maneira
adequada e cuidados com os distúrbios vasomotores (Sartori, 2009).
A fisioterapia precoce, ainda no período hospitalar, por
meio de diferentes técnicas cinesioterapêuticas, é eficaz em todas as fases da
doença, previne deformidades, proporciona maior independência funcional e
melhora a qualidade de vida (CAVENAGHI, 2005).
A reabilitação física manipula os fatores intrínsecos
e extrínsecos, permitindo uma adaptação cada vez melhor das respostas motoras
emitidas, contribui efetivamente para a neuroplasticidade.
Os procedimentos fisioterapêuticos na reabilitação de
pacientes com traumatismo raquimedular dependem da intensidade da lesão e
tem variações que dependem da localização e extensão do dano na medula
espinhal. O fisioterapeuta reabilita por meio de técnica motoras como a
cinesioterapia, por meio de exercícios passivos, exercícios ativo-assistidos,
ativos e resistidos e por exercícios respiratórios.
A importância da reabilitação para pacientes
com Traumatismo Raquimedular, tetraplegia e paraplegia, baseia-se no
aumento de sua expectativa de vida, na reabilitação e serão descritas técnicas
para proporcionar maior autonomia ao paciente, resultando em ganhos funcionais,
melhorando sua locomoção e na realização de tarefas simples implicando
diretamente na sua qualidade de vida.
A fisioterapia tem uma extrema importância na busca da
funcionalidade e na melhoria da qualidade de vida de pessoas que são acometidas
por trauma raquimedular. Através de condutas como a cinesioterapia que favorece
a manutenção de amplitude de movimento, evita complicações circulatórias devido
a imobilização de membros por períodos extensos e promove correção de possíveis
patologias respiratórias decorrentes ao trauma. A eletroterapia que possui
recursos como a Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM) que é uma técnica
terapêutica que ativa o músculo esquelético, controlando a atrofia por
desnervação.
A cinesioterapia é o uso do movimento como recurso para o
tratamento das mais diversas funções, podendo auxiliar na reabilitação do
Traumatismo Raquimedular. O exercício terapêutico tem como objetivo manter,
corrigir ou recuperar uma determinada função.
Durante o processo de reabilitação do Traumatismo Raquimedular, toda a musculatura remanescente deve ser fortalecida em seu potencial máximo. Assim que a estabilidade da coluna seja alcançada, o fortalecimento máximo da musculatura residual deve ser gradualmente iniciado. O trabalho enfocando o fortalecimento da cabeça, dos MMSS e tronco é fundamental, pois constitui a base para a mobilidade no leito, para as transferências e propulsão de cadeira de rodas.
Um requisito prévio, indispensável para o progresso de
movimentos funcionais, como os de mobilidade no leito, transferências e
propulsão de cadeira de rodas, é desenvolver um novo senso de esquema corporal
e equilíbrio postural para pessoas com Traumatismo Raquimedular.
A tolerância da posição ortostática nem sempre é suportada
durante os estágios iniciais da reabilitação do Traumatismo Raquimedular. Com a
lesão da medula, tem-se a alteração do sistema nervoso autônomo (SNA),
responsável pela regulação dos tônus vasomotores. Os vasos sanguíneos nas
vísceras são incapazes de se contraírem quando o corpo é elevado da posição
horizontal para a vertical. Esse controle vasomotor que foi perdido não é mais
recuperado; contudo, o paciente pode superar esse distúrbio por meio do
desenvolvimento de outros reflexos vasculares que ainda estão
preservados.
A fisioterapia aquática pode ser considerada um conjunto de
intervenções, como exercícios terapêuticos, manuseios e métodos específicos,
realizados em piscinas aquecidas por um profissional fisioterapeuta.
Treino de marcha: Em um estudo feito por Lucarelli foram
avaliados resultados do treino de marcha em esteira com suporte de peso.
Lucarelli compreendeu que o treino de marcha com suporte de peso teve maior
efetividade que o tratamento convencional, para melhorar os parâmetros
espaço-temporais e cinemático da marcha em pacientes com lesão medular
incompleta.
Treino de marcha com suporte de peso corpóreo: Realizado
sobre uma esteira que possibilita o acoplamento de suporte de peso orbitador, o
treinamento consistiu em: posicionar o paciente na esteira utilizando o suporte
de peso utilizado paraquedas para estabilizar a região pélvica e o tronco. Também
foi utilizado um sistema de polias mantendo o paciente suspenso reduzido a
carga de peso sobre os membros inferiores e treino da marcha com fisioterapia
convencional
Método Kabat : são técnicas desenvolvidas com o objetivo
específicas definidos, para obter força, resistência, coordenação, relaxamento
muscular, velocidade de contração, aumentar a estabilidade articular e a
amplitude de movimento.
Prevenção de deformidades: O desenvolvimento de deformidades articulares em um paciente com Traumatismo Raquimedular, deve-se a uma combinação de fatores, que incluem: a falta de função muscular ativa, espasticidade, forças gravitacionais, edema, posicionamento e desequilíbrio na tração muscular.
Dra. Bárbara Maurício Nascimento CREFITO 10 74799F
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Responsável técnica CREFITO 10 74799F
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